A pesquisadora Fernanda Cougo, doutora e mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística (PPGLI) da UFAC, celebrou um importante marco em sua carreira acadêmica com a tradução e publicação em inglês de sua obra. O livro “O Orador do Mestre Raimundo Irineu Serra: diálogos, memórias e artes verbais”, que surgiu de sua dissertação de mestrado orientada pelo professor Gerson Albuquerque e em diálogo com Luiz Mendes e a comunidade do Daime, foi inicialmente publicado em 2019.
Após o esgotamento da edição física, a obra foi relançada em formato ebook em 2025 e agora, em 2026, recebe sua versão traduzida. A tradução cuidadosa ficou a cargo de Helder Corrêa e Larissa Silva, com a publicação realizada pela Editora Núcleo de Estudos das Culturas Amazônicas e Pan-Amazônica (NEPAN), em coautoria com Luiz Mendes. Essa iniciativa representa também um passo significativo na internacionalização da pesquisa desenvolvida no programa.
Para celebrar essa conquista, será realizada uma live de lançamento no dia 02 de maio, às 11:00 (horário de Brasília), no Instagram da autora, onde os tradutores também estarão presentes.
Acompanhe o evento e conheça mais sobre essa importante contribuição para a área de Linguística e Literatura.
Siga Fernanda Cougo no Instagram: @fernanda_cougo
Sobre o livro, Fernanda destaca que:


“Luiz Mendes em diversos momentos, diz que vai me contar algumas experiências porque, afinal, falamos a ‘mesma linguagem’: e versa a respeito de vivências extáticas em sonhos e mirações; contatos sobrenaturais com seres que habitam os reinos da natureza e com os espíritos dos mortos. O narrador apresenta sua cultura, sua literatura/poesia oral amazônica, daimista, ayahuasqueira – que procuro fazer ecoar na transcrição dos 37 contos, 6 preleções e 39 cantos (com partituras de Marcelo Bernardes) – bem como nos diálogos com eles estabelecidos nas cerca de 400 páginas do livro.
Os contos, cantos e preleções apreciados trazem à tona saberes e fazeres constituídos no interior e a partir da ciência do Daime, de estéticas das diásporas, poéticas da diversidade; e permitem muitas leituras, muitos diálogos. Saberes vividos, lembrados, narrados, cantados, poetizados, dramatizados e agora transcritos, ainda que em “gotas”, na obra publicada. Trata-se aqui de uma visão de mundo não explicável e/ou compreensível pela ciência moderna ocidental. Saberes que pertencem a um domínio não inteligível à lógica racional eurocêntrica. Tradições e literaturas vivas forjadas no caldeirão da circularidade de pessoas e culturas no mundo e que, embora sutilmente e dentro dos processos de conformismo e resistência, subvertem padrões culturais hegemônicos e podem contribuir para a descolonização dos imaginários.
Saberes e fazeres donde floresce a poética daimista de Luiz Mendes do Nascimento: passarinho artista, rouxinol, na diversidade e arte do seu cantar sem fim; xamã, especialista do sagrado, rezador e benzedor, cantador de encantos, tradutor de línguas, linguagens e mundos; portador da voz poética, da voz religiosa e iniciática, artista do verbo, contador de histórias, narrador, conselheiro, professor, pregador, ancião, homem-memória; poeta da diversidade, festeiro, líder religioso, centurião; um irmão com alegria (e humildade), um jogral de Deus. Mestre da Ayahuasca (Daime), mestre da palavra e de leitura; o orador do Mestre Irineu Serra.”
A obra está disponível (português e inglês).
Para saber mais acesse:












