Prof. Gerson Albuquerque defende tese sobre a cidade de Rio Branco

2019 – Defesa pública de Tese de Professor Titular de Gerson Rodrigues de Albuquerque

Ocorreu na última sexta, 06, a Sessão Pública de Apresentação e Defesa da Tese intitulada “Uma certa cidade na Amazônia acreana”, submetida pelo Professor Doutor Gerson Rodrigues de Albuquerque, lotado no Centro de Educação, Letras e Artes (CELA) da Universidade Federal do Acre (UFAC).

A defesa pública se configura como um dos requisitos para a Progressão Funcional ao cargo de Professor Titular de Carreira do Magistério Superior.

A Banca Examinadora foi presidida pela Professora Doutora Elizabeth Miranda de Lima (Universidade Federal do Acre – UFAC) e composta pela Professora Doutora Rosa Elizabeth Acevedo Marin (Universidade Federal do Pará – UFPA), pelo Professor Doutor Mário Cesar Silva Leite (Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT), pelo Professor Doutor Luis Balkar Sá Peixoto Pinheiro (Universidade Federal do Amazonas – UFAM) e pela Professora Doutora Odete Burgeile (Universidade Federal de Rondônia – UNIR).

O parecer da Banca Examinadora ressaltou a qualidade e originalidade da tese e recomendou sua publicação.

“A Banca Examinadora, de forma unânime, decidiu pela aprovação da Tese, destacando sua originalidade e qualidade, recomendando “fortemente” sua publicação, além de parabenizar o professor e a Instituição. Considerando a análise da defesa e arguição realizadas, o Professor Dr. Gerson Rodrigues de Albuquerque foi considerado Aprovado com distinção em sua solicitação de progressão funcional ao cargo de Professor Titular.” (Ata de Defesa, 2019)

“Uma certa cidade na Amazônia acreana” é um estudo sobre a cidade de Rio Branco e sua multiplicidade de sujeitos e histórias, impossíveis de serem condensadas um UMA história da cidade.

“Este estudo tem como objeto/sujeito a cidade de Rio Branco e, nesse sentido, o rio Acre e suas gentes, seus inúmeros seres, suas florestas e suas outras cidades. Um estudo sobre as formas como diferentes sujeitos imaginaram/imaginam a capital da Amazônia acreana, uma cidade marcada pela multiplicidade de vidas e de interdições em seu percurso histórico, marcada pelo signo do descontínuo, da violência em muitas faces, da paixão intensa de seus habitantes, da tristeza e da alegria de ser algo irresoluto, inacabado, em eterno devir. Uma cidade tecida em muitas faces, memórias, narrativas.”, explica Gerson Albuquerque.

2019 – Defesa pública de Tese de Professor Titular de Gerson Rodrigues de Albuquerque

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2019 – Defesa pública de Tese de Professor Titular de Gerson Rodrigues de Albuquerque

 

RESUMO DA TESE

Este é um estudo sobre a cidade de Rio Branco, na Amazônia acreana. Um estudo tecido de escritas, imagens, poemas, performances, músicas, literaturas, histórias, oralidades. Um estudo que articula e se articula em torno de memórias (individuais e coletivas) confrontando documentos/monumentos oficiais e instituídos sob o invólucro da totalidade da memória histórica, aqui entendida como um tipo de memória que se alimenta do apagamento das coletividades humanas que inventam e reinventam suas cidades no viver e sobreviver, no experienciar as tristezas e alegrias da vida, no produzir de suas consciências existenciais em meio às coisas, palavras e imagens de seus espaços/tempos cotidianos. A proposta da abordagem está centrada na ideia de problematizar diferentes narrativas ou fontes a partir de uma perspectiva teórico-crítica que se apoia nas noções de gaio-saber, deriva, errância, transitoriedade, devir, nomadismo, fronteira, narrativa, experiência, labirinto e tempo de agora. O objeto/sujeito de estudo é uma específica cidade, uma certa cidade amazônica, tantas vezes inventada, tantas vezes descontinuada, tantas vezes desaparecida, tantas vezes reinventada. Cidade feita de palavras e discursos carnalizados na experiência secular, mundana de milhares de pessoas em cotidianos marcados por diversas intervenções modernizadoras, interditando e regulando corpos, ceifando vidas de seres humanos e não-humanos violentando-os em suas dimensões física, simbólica, material. No foco da análise está a noção de que é impossível falar de uma história de Rio Branco estruturada na armação temporal linear e evolutiva, tendo como ponto de partida uma origem em um passado mitificado pela saga de desbravadores e amansadores de desertos até chegar ao presente de plenas realizações. Tal história, tecida de palavras com as cores da narrativa oficial, somente pode ter sustentação sob a égide do silenciamento das muitas narrativas e trajetórias de mulheres e homens excluídos ou tratados como cifras, estatísticas e códigos na trama da história oficial. O estudo está organizado em cinco capítulos: (i) Uma cidade de palavras – na literatura, na história e em outras invenções; (ii) Narrativas do descontínuo; (iii) Cartografias de uma “cidade de múltiplos mapas”; (iv) Trânsitos de espaços/tempos e luta social no Acre – rios, florestas, cidades; (v) Artes, corpos em trânsitos, invenções, errâncias. As conclusões são absolutamente subjetivas, provisórias e parciais.

Palavras-chave

Cidade. Narrativa. Amazônia acreana. Linguagem. Cultura.