Tese defendida no PPGLI pesquisa sentidos da experiência acadêmica de professores(as) em formação, atuando em lugares de Floresta na Amazônia Acreana

Ocorreu no ultimo dia 03, a defesa pública de tese do doutorando Jorge Fernandes da Silva “Sentidos da experiência acadêmica de professores(as) em formação, atuando em lugares de Floresta na Amazônia Acreana”.

A atividade ocorreu no auditório do Bloco da Pós-Graduação – térreo, no campus-sede da Ufac, em Rio Branco – AC.

Participaram da Banca Examinadora a Profa. Dra. Elizabeth Miranda de Lima (UFAC) – Orientadora/Presidente, Prof. Dr. Salomão Antônio Mufarrej Hage (UFPA) – Examinador Externo, Profa. Dra. Marta de Faria e Cunha Monteiro (UFAM) – Examinadora Externa, Prof. Dr. Francisco Aquinei Timóteo Queirós (UFAC) – Examinador Interno e a Profa. Dra. Lenilda Rego Albuquerque de Faria (UFAC) – Examinadora Interna.

“NÃO EM NOSSO NOME”: pelo cessar-fogo imediato em Gaza

Este não é um texto historiográfico, mas um clamor. E como tal, pretendo começá-lo a partir de um outro texto, para que com isso se consiga estabelecer uma narrativa que não seja apenas histórica, mas calcada na empatia. Em maio de 1975, o historiador francês Pierre Vidal-Naqet publicou um artigo intitulado “Israel-Palestine: la frontière invisible” no periódico Le Nouvel Observateur. O artigo era fruto de uma visita do historiador a Israel e aos territórios ocupados. Na época, o Estado de Israel ocupava também o Sinai, como resultado da Guerra dos Seis Dias (1967), só cedendo o seu controle novamente ao Egito após os acordos de Camp David.

Vidal-Naqet era judeu, mas estava profundamente desgostoso com a incapacidade dos dissidentes israelenses em desafiarem as posições do establishment que antagonizavam diretamente contra os palestinos e demais povos árabes. Para ele, o problema residia na rejeição da dimensão histórica que o Estado de Israel instituía – e, aceitá-la, seria compreender que os judeus que ali existiam não estavam na região por essência, ou por metafísica espiritual, mas por uma série de contingências, de “acidentes históricos”. Dessa forma (e somente desta forma, ele frisava), os palestinos poderiam ser vistos como companheiros. O problema, contudo, é que até aquele momento, afirmava o historiador, a política do movimento sionista era de negar a própria existência dos árabes que viviam nos territórios de Israel e da Palestina.

Para os estudiosos da questão Israel e Palestina, a fala de Vidal-Naqet não é surpreendente – embora certamente ela antecipe muitos textos canônicos sobre a questão palestina. Historiadores israelenses como Ilan Pappé, Shlomo Sand, Tom Segev, entre outros, já expuseram as mazelas de uma lógica colonial que estaria nas origens do próprio movimento sionista, tão nitidamente expressa no slogan “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Historiadores palestinos como Nur Masalha ou Abd al-Jawad destacam que tal perspectiva nega a História e a própria memória dos palestinos, entendidos, nos termos de Edward Said, com uma identidade nacional diaspórica em suas próprias origens, limitada no próprio ato de representação de si.

O texto do autor de “Os assassinos da memória” é, contudo, um alerta para o chamado “mundo ocidental”, clamando para que ele se responsabilize pelas relações entre israelenses e palestinos, especialmente diante da tragédia do Holocausto – “antes que um desastre aconteça”, anuncia o texto de 1975.

Infelizmente, o desastre aconteceu – e, a dizer, acontece cotidianamente em Gaza. O ato terrorista cometido pelo Hamas no dia 7 de outubro (o maior ataque contra judeus desde o Holocausto) serviu como justificativa para desencadear uma nova guerra de conquista sobre territórios palestinos. Enquanto este texto é escrito, a imprensa internacional divulga um suposto plano do Ministério da Inteligência de Israel que pretende remover todos os palestinos de Gaza em direção ao norte da península do Sinai. Se este plano for efetivado, essa será a maior diáspora palestina, superando a Nakba, de 1948.

Enquanto isso, o Estado de Israel e seu governo anunciam que sua guerra é contra o Hamas, mas não contra os palestinos – não obstante, as cifras de civis mortos continuam se empilhando, com direito a ataques das Forças Armadas Israelenses contra hospitais e até mesmo campos de refugiados em Gaza. A tragédia dos eventos não começou agora, mas estamos diante de uma violência cuja desproporcionalidade se dá justamente nos ataques contra civis, sendo que a única saída que Israel propõe é o deslocamento forçado de milhões de pessoas enquanto Gaza é destruída.

Se, contudo, o Ocidente pode se assegurar de que fracassou de forma retumbante na condução das relações Israel-Palestina, há ainda alguma esperança no “Extremo Ocidente”. Bolívia, Colômbia e Chile denunciaram a agressão israelense aos campos de refugiados e aos civis, o que gera maiores tensões diplomáticas. O Brasil foi o principal articulador da mais robusta proposta de cessar-fogo – não obstante ela ter sido vetada pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU. Ainda assim, é preciso que se afirme que é muito pouco diante do desastre humanitário que se instituiu na região.

A sangrenta história de Gaza é a história dos palestinos que seguiram em seus territórios depois de 1948: que inicialmente ficaram sob controle dos egípcios, mas que em 1967 tiveram de lidar com a ocupação israelense do território que foi o epicentro da primeira e da segunda Intifada; que viram a retirada das tropas israelenses em 1994 por ocasião dos acordos de paz de 1992; que viram o Hamas crescer politicamente na região – com o aval das forças israelenses, voltadas para o enfraquecimento do Fatah entre os palestinos. É a história de 2.4 milhões de pessoas que, enquanto escrevo este texto, vivem o desastre.

As palavras de Vidal-Naqet falavam de um desastre enquanto futuro, mas não é exagero algum entendê-lo como algo que precede 1975 – afinal, para os próprios palestinos, o termo “Nakba” traduz-se como “desastre”. Contudo, naquele momento, o historiador francês mudava sua perspectiva a respeito de Israel e da sua própria identidade judia. Essa mudança ressoa diretamente em outro texto, de outubro de 2000, em meio à Segunda Intifada. Trata-se de uma carta intitulada “Judeus franceses em defesa dos direitos dos palestinos”, publicada no Le Monde e assinada por Daniel Bensaid, MarcelFrancis Kahn e Stanislas Tomkiewicz – bem como pelo próprio Pierre Vidal-Naqet.

Nesta carta, ao denunciarem as agressões israelenses, enfatizando a desproporcionalidade do confronto, anunciavam que “uma corrida rumo ao desastre se iniciava” e denunciavam, por sua vez, “a espiral fatal de etnicização e confessionalização do conflito”. Mas diante do retorno dos argumentos de 1975, a carta apontava uma saída: uma concepção de fraternidade árabe-judia, que só poderia ser atingida com o reconhecimento das resoluções da ONU, com o reconhecimento do Estado palestino e assegurando o direito de retorno para todos os palestinos que foram expulsos de suas terras. Uma saída otimista e que, infelizmente, parece tão distante em nosso tempo.

Talvez fosse exigir demais que, diante da responsabilidade do Ocidente para com tantos genocídios (do colonialismo à Shoah), fosse ele o articulador de uma paz, o desencadeador de uma fraternidade árabe-judia. Mas se o Ocidente efetivamente fracassou nessa tarefa, lançando milhares de famílias a um desastre sem fim, talvez caiba justamente ao Sul Global um grito potente, uma voz que diga “não em nosso nome” e que se recuse a entrar nessa espiral que articula a limpeza étnica de Gaza. O chamado para as historiadoras e os historiadores brasileiros é justamente de poderem dizer, sem vacilações, que o direito de defesa não preconiza o massacre de civis. De dizer, enfim, “não em nosso nome”.

Por Fernando Pureza
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Autor do livro História da Ásia (2023)

Edital do PPGLI de Seleção para Cursos de Mestrado e Doutorado

A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPEG), por meio do Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Universidade Federal do Acre (UFAC), recomendado pela CAPES e reconhecido pelo Ministério de Educação, com conceito 5, torna pública a abertura de processo seletivo para o preenchimento de 11 (onze) vagas para o Curso de Mestrado e 15 (quinze) vagas para o Curso de Doutorado do PPGLI, com ingresso no mês de abril do ano acadêmico de 2024 e defesa da Dissertação até o mês março do ano letivo de 2026, para o Mestrado; e com ingresso no mês de abril do ano letivo de 2024 e defesa da Tese até o mês de março do ano letivo de 2028, para o Doutorado, em conformidade com as normas estabelecidas pelo presente Edital.

DELEGAÇÃO DO PPGLI DA UFAC PARTICIPA DO IV GELLNORTE NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

Durante os dias 24 a 27 de outubro do corrente ano, na Universidade Federal do Tocantins, campus de Porto Nacional, ocorreu o IV Encontro do Grupo de Estudos Linguísticos e Literários da Região Norte – GELLNORTE, com o tema “Desafios da Educação e da Pesquisa no Contexto da Amazônia Brasileira”. O encontro deste ano foi presidido pelo Professor Dr. Carlos Roberto Ludwig (UFT) e contou com a participação de mais de 400 professore(a)s e estudantes dos Programas de PósGraduação da Área Linguística e Literatura da região Norte. A conferência de abertura, com o tema “Comendo e bebendo com Mário de Andrade: turistando pelas Amazônias”, foi proferida pelo Professor Dr. Francisco Bento da Silva (UFAC) e a conferência de encerramento, com o tema “A Pós-Graduação e a Pesquisa no Norte:
como o GELLNORTE pode contribuir”, foi proferida pelo Professor Dr. Dermeval da
Hora (UFPB).

Durante os quatro dias do evento foram realizadas um total de dez mesas redondas envolvendo dezenas de docentes de PPGs da Amazônia e de outras regiões
do país, com destaque especial para o Professor Dr. José Sueli de Magalhães (UFU), Coordenador da Área Linguística e Literatura na Capes. Além das conferências,
mesas redondas e simpósios temáticos, durante o IV GELLNORTE foi definido o local da sede do próximo encontro, que será na cidade de Belém do Pará, e eleita a nova
diretoria da entidade (biênio 2024-2026), tendo à frente a Professora Dr. Marília Ferreira (UFPA).

O Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da UFAC se fez representar no evento com uma delegação de professores e estudantes que apresentaram os resultados de seus projetos de pesquisas em diferentes simpósios temáticos. O curso de Mestrado do PPGLI foi representado por Thais Albuquerque Figueiredo, com uma comunicação oral sobre o tema “Estereótipo e representação: a mulher negra na Amazônia acreana Sul-Ocidental”, e Karolaine da Silva Oliveira, com o tema “Saberes e sabores: banquetes e piqueniques no jornal Folha do Acre (1910-1930)”.

O curso de Doutorado contou com um grupo bem mais expressivo de representantes: Poliana de Melo Nogueira apresentou comunicação sobre o tema “Imaginando a capital do Acre como escavação: imagens de arquivo e o tecer da cidade no acervo de Adauto Frota (1966-1975)”; Joely Coelho Santiago, o tema “Mulheres quilombolas na lida com o ouriço e a roça nas florestas e rios amazônicos”; Mário Sérgio Silva de Carvalho, o tema “A invenção do ‘ser’ enquanto construção discursiva”; Karlene Ferreira de Souza, o tema “Estudos Surdos: breves considerações”; Danilo Rodrigues do Nascimento, o tema “Entre residência pedagógica e o ensino de história: uma experiência do/no fazer-docente-formativo na aplicabilidade das leis 10.639/2003 e 11.645/2008”; Jannice Moraes de Oliveira Cavalcante, Maria Ana da Silva Morais Lima e Pabla Alexandre Pinheiro da Silva, apresentaram comunicação sobre o tema “Retórica Sentimental e Nauasakiri: diálogos entre memórias, oralidade e discurso”; Nágila Maria Silva Oliveira apresentou a comunicação de pesquisa intitulada “Construção de saberes linguísticos de uma professora alfabetizadora: autobiografia, itinerâncias formativas e desenvolvimento profissional”.

Egresso do curso de doutorado do PPGLI, Armstrong da Silva Santos apresentou a comunicação oral “Cherche la vie, perdu la vie: ‘pessoas-diáspora’ coreografando espaços de sobrevivência entre Haiti e Brasil”. Os professores Francisco Bento da Silva e Gerson Rodrigues de Albuquerque apresentaram, respectivamente, as seguintes comunicações orais: “As experiências alimentares de Mário de Andrade na Amazônia: o comensal” e “Trajetórias de corpos de luz e sombra – alienígenas – na Amazônia acreana”.

CARTA DE PORTO NACIONAL

Reunidos em Assembleia Geral realizada na data de hoje, as professoras, os professores, as estudantes e os estudantes que integram o Grupo de Estudos Linguísticos e Literários da Região Norte – GELLNORTE, manifestam posição contrária ao contingenciamento e cortes nos recursos destinados à Capes, neste ano de 2023, comprometendo a pesquisa e a pós-graduação em todo o país, especialmente, na região Norte, o que amplia ainda mais as assimetrias regionais. Para além dessa questão, conclamamos a comunidade acadêmica e científica nacional a uma ampla mobilização junto às bancadas parlamentares para assegurar junto ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) o montante de, no mínimo, 7 bilhões de reais para o financiamento das ações e programas estratégicos da Capes no ano de 2024.

Porto Nacional – Tocantins, 27 de outubro de 2023.
GELLNORTE.

EDITAL Nº 03/2023 DE VAGAS PARA EXAMES DE LEITURA EM LÍNGUAADICIONAL: INGLÊS, FRANCÊS, ESPANHOL E PORTUGUÊS

Edital

Inscrição

ATENÇÃO: As vagas serão preenchidas de acordo com a ordem de inscrição, que ocorrerá no período das 12h do dia 02 de novembro de 2023 às 18h do dia 06 de novembro de 2023, no horário de Rio Branco – Acre.

Seminário de Culturas e Identidades em narrativas amazônicas e indígenas

O Seminário proposto está incorporado à disciplina ‘Culturas e identidades em narrativas amazônicas e indígenas’, ministrada no PPG de Letras: linguagem e identidade da Universidade Federal do Acre. Possui como objetivo proporcionar aos pós-graduandos um compartilhamento de pesquisas e experiências realizadas por professores doutores e escritores sobre as narrativas amazônicas e indígenas. Narrativas essas que não se limitam ao literário, mas que abarcam as histórias de mulheres professoras, de mulheres indígenas, de narrativas históricas. Conhecer a diversidade desse espaço híbrido que é a Amazônia por meio de narrativas em que a cultura e a identidade, amazônicas e indígenas, são problematizadas é uma oportunidade de nos identificarmos e nos reconhecermos como sujeitos das Amazônias.

Seminário de Culturas e Identidades em narrativas amazônicas e indígenas – PPGLI acontecerá dias 17/10, 31/10, 07/11, 14/11 e 21/11.

O primeiro encontro será com a Doutora pesquisadora Lívia Penedo Jacob, dia 17 de outubro. A sua fala será sobre: As duras penas: o índio na literatura e a literatura indígena.

O segundo encontro será com a Doutoranda Adriana de Sá Marques, dia 24 de outubro. A sua fala será sobre: A cultura amazônica em Seringal, de Miguel Ferrante.

O terceiro encontro será com o escritor Nicodemos Sena, dia 31 de outubro. A sua fala será sobre:  Amazônia: decolonizar é preciso.

O quarto encontro será com a Profa. Dra. Sonia Gomes Sampaio, dia 07 de novembro. A sua fala será sobre: Da Estrada de Ferro Madeira Mamoré ao Vale do Jamari: memórias e fazeres de professores.

O quinto encontro será com o Prof. Doutorando Eulisson Nogueira, dia 14 de novembro. A sua fala será sobre: Travessias identitárias e culturas amazônicas nos romances hatounianos.

E o último encontro acontecerá com a Profa. Doutoranda Márcia Kambeba, dia 21 de novembro. A sua fala será sobre: Da oralidade à Literatura contemporânea. 

Todos os convidados apresentarão suas falas via meet na Sala 2 do Bloco dos Mestrados das 16h às 17h. E haverá 30 minutos para debate. 

O Seminário é presencial. 

Número de vagas: 20

A garantia à vaga será por ordem de inscrição.

Link do formulário de inscrição: https://forms.gle/59dmVrDJ8JGS7P2FA

Tese defendida no PPGLI analisa Territórios e memórias de uma cartografia Acre

Ocorreu no ultimo dia 18, a defesa pública de tese da doutoranda Julia Lobato Pinto de Moura “Territórios e memórias de uma cartografia acre: a Colônia Cinco Mil como um lugar narrado.

A atividade ocorreu no auditório do Bloco da Pós-Graduação – térreo, no campus-sede da Ufac, em Rio Branco – AC.

Participaram da Banca Examinadora a Profa. Dra. Maria de Jesus Morais (UFAC) – Orientadora/Presidente, o Prof. Dr. Durval Muniz Albuquerque Júnior (UFPE/UFRN) – Examinador Externo, Prof. Dr. Gerson Rodrigues de Albuquerque (UFAC) – Examinador Interno, Prof. Dr. Francisco Aquinei Timóteo Queirós (UFAC) – Examinador Interno e Prof. Dr. Francisco Bento da Silva (UFAC) – Examinador Interno.