Orientada pela Professora Dra. Ana Lúcia Trevisan, a doutoranda Luana Jéssika Della-Flora defendeu recentemente a Tese de Doutorado intitulada “Literatura brasileira contemporânea e as narrativas de uma nação (im)possível: parir um país, reaprender a nascer”. Em uma significativa passagem de suas conclusões, acompanhando as reflexões de Édouard Glissant, Luana destaca que é
“necessário reivindicar uma literatura imprópria, que faça circular experiências e sensibilidades outras, que mudem a estrutura do conhecimento, que desenclausurem outros modos de saber e sentir; uma literatura desenquadrada, desenterradora, plural, relacional, em rede. Nesse sentido, tendo em vista as análises literárias apresentadas neste trabalho, podemos entender a narrativa reticular como uma estratégia que permite que a inapropriação habite o texto. E pensando nessas formas outras, retomando a natureza (mas não só ela, e sim o Todo-o-Mundo) enquanto sujeito que lembra, sente e sabe, podemos compreender a reticularidade como forma de imbricamento dos modi pensandi, operandi e vivendi. E talvez aí resida a “função” que a literatura pode cumprir, mesmo sem prometer: ao fazer vacilar nossas certezas, como escreveu Durval Muniz, ao apresentar outros modos de pensar, refletir e imaginar, a literatura abre a possibilidade de que, a partir do desvendamento do texto, pensemos sobre modo de fazer as coisas, de realizar atividades, de viver a vida…”.
Para o professor Gerson Albuquerque, que fez parte da banca examinadora, um dos inúmeros méritos desse estudo é o modo como a autora indica o caminho para a abertura ou produção de outras escritas, outras literaturas, outras formas de destruir/construir uma nação, descortinando ambientes propícios para a produção daquilo que Ana Pizarro definiu como outros fluxos culturais e literários.
Em 2023, Luana se deslocou para a Amazônia acreana no âmbito da parceria entre o PPGL – Mackenzie e o PPGLI – Ufac, participando de atividades acadêmicas com estudantes indígenas e não-indígenas. Para a jovem doutora, o verdadeiro aprendizado dessa experiência de intercâmbio veio da troca e do choque do encontro com diferentes culturas e modos de tecer narrativas:
“só me resta torcer para que este tenha sido apenas um dos muitos intercâmbios que estão por vir e agradecer a todos que participaram de alguma forma dessa experiência que foi tão importante para mim, minha tese, minha formação e para professora que eu desejo me tornar, mas também para PPGLI, Mackenzie, e para mais que necessária ampliação das bases e dos fundamentos a partir dos quais produzimos e pensamos linguagem”, afirmou.


