Grupo de pessoas reunidas durante o 14º Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada. Eles estão em frente a um banner do evento, sorrindo e segurando bolsas com o logo do congresso.

Ocorreu, no período de 14 a 18 de julho de 2025, o 14º Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada (14º CBLA), na Universidade Federal de Sergipe (UFS), no câmpus de São Cristóvão. O evento foi organizado pela Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB) e contou com pesquisadoras, estudantes, professoras e profissionais de Linguística Aplicada e de áreas afins, de diversos estados brasileiros e do exterior, interessados nas relações entre linguagens, corpos, territórios e suas movências.

Durante os cinco dias de evento, a comunidade brasileira e do exterior, engajada com pesquisa no campo dos estudos sobre linguagem-e-sociedade, discutiu questões relacionadas à temática do evento nos diversos campos da Linguística Aplicada – LA. Ademais, os participantes puderam fazer parte de um intercâmbio de conhecimentos, experiências e práticas advindos de diferentes âmbitos culturais, profissionais e de investigação.

O 14º CBLA buscou visibilizar diferentes agenciamentos de linguagens, em articulação com corpos e territórios, que constituem modos contemporâneos de sobrevivência, resistência e reexistência ao colonialismo, às colonialidades, às desigualdades sociais, às injustiças epistêmicas e às violências de diversas ordens. Os projetos apresentados deram atenção àquelas vozes apagadas das grandes narrativas hegemônicas, de modo a (des)aprender com suas epistemologias, ontologias e cosmologias, a exemplo de comunidades tradicionais e de terreiro, povos afroindígenas e movimentos sociais das cidades, do campo, dos rios e das florestas.

A escolha do estado de Sergipe também demonstrou a necessidade de situar o evento numa das periferias da geopolítica do conhecimento acadêmico brasileiro e suas hierarquias moderno-coloniais, mas que é também, e acima de tudo, um território historicamente propício para a confabulação de linguagens de resistência.

À convite da Presidenta da ALAB, Profa. Dra. Doris Matos (UFS), os trabalhos de discentes, professores e egressos da delegação do PPGLI, relacionados às pesquisas concluídas e em andamento, foram apresentados no Simpósio “Tecituras, errâncias e derivas em espaços-tempos limiares: entre o aqui amazônico e o todo-mundo”, coordenado pelo professor Gerson Rodrigues de Albuquerque (UFAC). 

“A participação de discentes e docentes do PPGLI no 14° CBLA foi um marco para a ALAB, ao reafirmar o compromisso da área com vozes e epistemologias amazônicas. As pesquisas apresentadas no Simpósio Convidado coordenado por Gerson Albuquerque provocaram e sensibilizaram, trazendo à cena modos outros de narrar, viver e pensar a linguagem, o território e a educação como os de pesquisadores indígenas e surdos.”, comentou Doris.

Confira abaixo a listagem de trabalhos apresentados:

  1. A natureza do letramento na trajetória de uma professora Nukini – Analice Ferreira da Costa Nukini (PPGLI-UFAC)
  1. Tempo e deslocamento(s): narrativas de reconstrução do modo de vida e de luta – Maria Cristina Lobregat (PPGLI-UFAC/IFAC/ Bolsista CAPES)
  1. Saberes, linguagens e educação kokama na comunidade Nova Aliança: uma reflexão sobre as formas próprias de educar – Elizângela Lopes Kokama (PPGLI-UFAC)
  1. Narrativas de corpos e territórios marcados pelo olhar amazonialista: algumas reflexões metodológicas – Gerson Rodrigues de Albuquerque (PPGLI-UFAC)
  1. Memórias, entre-lugares e deslocamentos em narrativas Pupykary – Ketlen Lima de Souza Apurinã (PPGLI-UFAC)
  1. Estudantes surdos na pós-graduação: língua(gens), identidades e formas de resistências – Lucas Vargas Machado da Costa – Pesquisador surdo (PPGLI-UFAC)
  1. Corpos invisíveis e vozes inaudíveis em fronteiras panamazônicas: um estudo de caso sobre estudantes indígenas em escola não indígena – Luzanira Hilário da Silva Kokama (PPGLI-UFAC)
  1. Trajetórias de luta e resistência de Dercy Teles, sindicalista e trabalhadora extrativista da Amazônia acreana – Maria de Jesus Morais (PPGLI-UFAC)
  1. Yvyrupa – a terra toda, território guarani – Miguel Jorge Martins da Silva – Tata Endy – Mbya Guarani (PPGLI-UFAC)
  1. O corpo-território em poesias de mulheres indígenas – Clécio Ferreira Nunes – Huni Kuin (PPGLI-UFAC) 
  1. Língua (gem) e produção de ciência por pesquisadores indígenas: um debate necessário – Shelton Lima de Souza (PPGLI-UFAC)
  1. Cidades de memória: trajetórias de vida e deslocamentos entre espaços de cidades-florestas na Amazônia Sul-Ocidental – Thaís Albuquerque Figueiredo (PPGLI-UFAC) 
  1. Análise socioidentitária do discurso religioso de mestre Irineu – Sandra Mara Souza de Oliveira Silva (PPGLI – UFAC/Bolsista CAPES)

Pesquisadores do PPGLI apresentam suas produções no 14º Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada (CBLA)