Livro sobre História da África é distribuído pelo PPGLI da UFAC para bibliotecas e escolas públicas de Ensino Médio de Rio Branco – Acre

Boubacar

O Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Universidade Federal do Acre (UFAC), por intermédio do Grupo de Pesquisa História e Cultura, Linguagem, Identidade e Memória (GPHCLIM) fará a doação de 250 exemplares do livro O reino do Waalo: o Senegal antes da conquista, para as bibliotecas e escolas públicas de Ensino Médio da capital acreana.

Com 445 páginas, o livro é um clássico da História da África – francófona – e tem como autor o Professor Boubacar Barry, da Universidade Cheikh Anta Diop, em Dakar, Senegal. Publicada neste ano de 2018, pela Nepan Editora, com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura da Fundação Municipal de Cultura de Rio Branco “Garibaldi Brasil”, a obra é uma tradução do original em francês, lançada no ano de 1972 [reeditada em 1985], que também conta com edições em língua espanhola (2010) e inglesa (2012).

Trata-se de um rico material que possibilita aos professores e estudantes de ensino médio e superior ter acesso às histórias de povos africanos (Wolof, Tuculer, Moura, Peul, Soninke, Mandinga) da Senegâmbia antes e durante os anos da colonização francesa nessa região banhada pelos rios Senegal e Gâmbia. Uma região que envolve os atuais estados nacionais do Senegal, Mauritânia, Mali, Gâmbia e Guiné.

Para o Professor Gerson Albuquerque (UFAC), que apresenta a edição brasileira, “nesse livro, Boubacar Barry cartografa não apenas os aspectos históricos, políticos e econômicos, mas percorre os mundos do Waalo nos detalhes de sua geografia física, ambiental e psicológica, colocando em cena as estruturas sociais, as relações de poder, o comércio da goma e do amendoim, as revoluções muçulmanas e outras lutas e conflitos sociais, as guerras e rázias, os modos de viver, as práticas e paradoxos da escravidão e da venda de escravos, as disputas internas e as dimensões religiosas, políticas e econômicas. Enfim, mergulha fundo nas culturas desse reino antes e no imediato contexto da opressão e do desmonte proporcionado pela ‘era dos impérios’, atualizando o terror da escravidão e toda sorte de subtração da humanidade aos povos da África Negra”.

Em seu texto de apresentação, Albuquerque afirma ainda que “ao longo da leitura de O reino do Waalo surge uma impactante análise das violências da colonização e do tráfico de mercadorias e de seres humanos tratados como coisas no Waalo e em toda a Senegâmbia e adjacências. Uma análise que nos permite antever os mecanismos utilizados pela França imperial para adentrar nos territórios de culturas ricas e complexas de sociedades em profundas relações de intercâmbios com os mundos mediterrânicos, índicos e atlânticos, destruindo-os ou impondo suas lógicas de mercado, não obstante à tenaz resistência enfrentada. Uma análise que também possibilita ao leitor dimensionar o apagamento das Áfricas, restando como saldo o surgimento de uma áfrica singularizada pela retórica imperial; uma África reduzida a sinônimo de miséria, escravidão, doenças, fome e guerras de grupos tribais ou étnicos primitivos e rudes; uma África no singular, imagem inventada pela colonização e seus tentáculos nas mentes colonizadas ou na colonialidade de seres e saberes dentro e fora das Áfricas”.

Também destaca que, em parte da conclusão de sua obra, Boubacar Barry pontua que os intelectuais africanos da atualidade têm o desafio de enfrentar um combate para reconquistar a longa história de lutas de seus povos. Um combate que, nas palavras do autor, “é inseparável do combate que pode levar os povos da Senegâmbia à sua independência política, econômica e cultural”. Um combate que passa fundamentalmente pela necessidade de fazer um “ajuste de contas com o passado” e se livrar da perspectiva colonizadora presente na universidade africana que ainda continua vinculada ao modelo francês.

Disponível agora para o público de Língua Portuguesa, “O Reino do Waalo” já está incluído entre as leituras obrigatórias de historiadores e estudiosos em geral do continente africano e de seus processos de colonização e resistência. As escolas públicas de Ensino Médio e bibliotecas de Rio Branco serão as primeiras a receber a publicação em todo território nacional. Além dos diretores de bibliotecas e escolas públicas, outros interessados em adquirir um exemplar do livro podem entrar em contato com a Nepan Editora através do e-mail editoranepan@gmail.com

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