Capa de documento da CAPES sobre Linguística e Literatura, Área 41, com fundo azul e elementos gráficos.

Um Documento de Área, segundo a CAPES, é um guia que direciona a avaliação dos programas de pós-graduação em um determinado campo do conhecimento. Ele inclui diretrizes, critérios, indicadores e requisitos para o período de avaliação, abordando aspectos como a estrutura do programa, o corpo docente, a pesquisa, a produção intelectual, a internacionalização e o impacto social. Dessa forma, o documento funciona como um roteiro para que os programas se adequem às expectativas da CAPES e consigam uma avaliação satisfatória.

O Documento de Área de Linguística e Literatura (2025–2028) foi elaborado sob a coordenação de Área composta, atualmente, pelo Prof. Dr. José Sueli de Magalhães, Coordenador da Área de Linguística e Literatura, Profa. Dra. Solange Fiuza Cardoso Yokozawa, Coordenadora Adjunta de Programas Acadêmicos e Profa. Dra. Luiza Helena Oliveira da Silva, Coordenadora Adjunta de Programas Profissionais. O documento define as diretrizes para avaliação e fortalecimento dos programas de pós-graduação stricto sensu vinculados à Área 41, reforçando o compromisso com a redução das desigualdades regionais, a internacionalização e a inclusão social no campo dos estudos linguísticos e literários.

De acordo com o texto, a Área 41 alcançou expansão significativa nos últimos anos, passando de 66 programas em 2000 para 157 em 2024. Atualmente, apenas o estado do Amapá não possui curso de doutorado na área. O documento destaca ainda a melhoria qualitativa dos programas: na última avaliação quadrienal, houve redução de 35 para 18 os programas com conceito 3, e aumento de 29 para 47 os programas com conceito 5. A Área possui, atualmente, 31 programas de excelência, dos quais 23 são nota 6, e 8, nota 7. Esses programas encontram-se concentrados nas regiões Sudeste e Sul.

Listamos abaixo algumas orientações contidas no Documento da Área de Linguística e Literatura para a avaliação dos programas.

IMPACTO SOCIAL

Segundo o documento, o impacto social da pós-graduação é definido como a geração de externalidades positivas para a sociedade, com ênfase em três eixos: (i) impactos do programa para a sociedade; (ii) inovação, transferência e compartilhamento de conhecimento; (iii) inserção, visibilidade e popularização da ciência. Entre as ações consideradas estão a cooperação com escolas da educação básica, a formação de professores, a produção de materiais didáticos, a participação em comissões de políticas públicas educacionais, a realização de projetos de extensão e divulgação científica, a contribuição com a preservação do patrimônio linguístico, literário e cultural, e o desenvolvimento de tecnologias sociais, softwares, aplicativos e plataformas que promovam a inclusão e a diversidade cultural.

EGRESS

O documento também traz orientações sobre a formação de egressos, que deve estar alinhada às demandas sociais contemporâneas, incluindo o uso ético da inteligência artificial e o compromisso com a educação básica. A produção intelectual é avaliada com base em critérios de qualidade, inovação e impacto social, com destaque para produtos bibliográficos e técnicos que dialoguem com a comunidade e promovam a inclusão.

INTERDISCIPLINARIDADE

Outro ponto central é a interdisciplinaridade, considerada intrínseca à área, que abrange estudos linguísticos, literários, de tradução, culturais e aplicados. Há incentivo à criação de redes de cooperação entre programas, especialmente para fortalecer instituições em regiões menos favorecidas, por meio de projetos de cooperação interinstitucional (PCI) e políticas afirmativas.

AUTOAVALIAÇÃO

O documento reforça ainda a importância da autoavaliação contínua dos programas como instrumento de melhoria qualitativa, exigindo a participação de docentes, discentes, técnicos, egressos e sociedade civil.

EQUIDADE, REDUÇÃO DE ASSIMETRIAS E DIVERSIDADE

A Área reconhece que a distribuição dos programas por região já reduziu as antigas assimetrias geográficas, mas alerta que ainda persistem desigualdades qualitativas. Para enfrentá-las, estabelece critérios diferenciados: permite que cursos em áreas ainda desassistidas funcionem com 8 docentes (mestrado) ou 10 (doutorado), desde que apresentem justificativa robusta e metas claras de desenvolvimento local. Incentiva a criação de novos cursos onde há demanda reprimida, desencoraja duplicação de propostas já existentes na mesma região e estimula a cooperação entre programas consolidados e em consolidação por meio de intercâmbio de estudantes e docentes, Projetos de Cooperação Interinstitucional (PCI) e pontuação diferenciada para ações que beneficiem comunidades locais.

Por fim, o documento destaca que os programas da Área devem alinhar-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, especialmente nas áreas de educação de qualidade, redução das desigualdades e valorização da diversidade cultural e linguística.

O documento completo está disponível no site do PPGLI no link: https://posletrasufac.com/area41/

SOBRE A COORDENAÇÃO DE ÁREA

José Sueli de Magalhães

Coordenador da Área de Linguística e Literatura

Professor Titular na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), atua nos Cursos de Graduação em Letras e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, orientando Mestrado e Doutorado. É Mestre e Doutor em Estudos Linguísticos, com doutorado Sanduíche na Tilburg University. Foi pesquisador visitante na Universidade de Lisboa em 2022 e é Coordenador da Área 41 Linguística e Literatura da DAV/CAPES. Desde 2017, é Delegado da ALFAL e coordena o Projeto 19 (Fonologia: Teoria e Análise). Suas pesquisas focam em Fonologia, Variação Fonológica, Morfofonologia e Ensino..

Solange Fiuza Cardoso Yokozawa

Coordenadora Adjunta de Programas Acadêmicos

Professora titular na Universidade Federal de Goiás desde 2002 e membro do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística desde 2004. É Consultora Externa do CITCEM (Universidade do Porto). Doutorou-se em Letras (Literatura Brasileira) na UFRGS em 2000, com a tese que originou o livro “A memória lírica de Mario Quintana”. Realizou pós-doutorados em 2015 e de 2021-2022, focando em Cesário Verde, João Cabral de Melo Neto e sua recepção em Portugal. Líder do Grupo Estudos de Poesia Brasileira Moderna e Contemporânea. Sua pesquisa abrange poesia brasileira, diálogos Brasil-Portugal e poetas como João Cabral, Mario Quintana, e outros.

Luiza Helena Oliveira da Silva

Coordenadora Adjunta de Programas Profissionais

Graduada em Letras pelo Centro Universitário de Barra Mansa, mestre e doutora em Letras pela Universidade Federal Fluminense. Realizou pós-doutorado em sociossemiótica no CEVIPOF-CNRS (2013/2014) com bolsa CAPES. É professora associada na Universidade Federal do Norte do Tocantins, atuando em cursos de Licenciatura em Letras, ProfLetras e no PPGLLIT. Tem experiência em Linguística, focando em semiótica discursiva, memória na formação de professores e literatura na ditadura. Integra o grupo de pesquisa SEDI e coordena o GESTO. Membro da Academia de Letras de Araguaína e do grupo de estudos feministas Coletivas Raimundas. 

Diretrizes CAPES para PPGs em Linguística e Literatura (2025-2028): conheça o Documento de Área