Tomada de posição de um grupo de cientistas sociais da área das migrações

A União Europeia vive actualmente aquela que é sem dúvida uma das maiores tragédias desde que, com a assinatura do Tratado de Roma em 1957, a livre circulação foi instituída como um dos princípios fundamentais da Comunidade Europeia. Na origem desta tragédia encontram-se a intensificação dos conflitos no Médio Oriente e Norte de África na última década e meia (nomeadamente no Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Palestina), o êxodo populacional que estes conflitos têm provocado e a desregulação dos sistemas de controlo nos países de origem. Porém, o carácter especialmente trágico de que se reveste a actual crise deve-se também sobremaneira a factores que se situam do lado da própria União Europeia – designadamente a crescente militarização das suas fronteiras exteriores e a tendência para a securitização da mobilidade humana.oi

A concretização do princípio da livre circulação no contexto da implementação do Acordo de Schengen de 1990 fez-se acompanhar, de forma apenas aparentemente paradoxal, por um reforço sem precedentes do controlo e vigilância das fronteiras exteriores – e estas restrição e militarização crescentes do acesso ao espaço europeu constituem causas fundamentais da tragédia humanitária em curso, na medida em que vieram limitar decisivamente o universo de estratégias disponíveis para concretização das intenções de fuga e acesso.

Ao mesmo tempo, e a um outro nível, esta tragédia constitui também um resultado da concepção securitária da mobilidade humana que se generalizou na União Europeia nas últimas décadas. Em termos simples, esta securitização tem consistido na gradual substituição, nos discursos político, jurídico e mediático, da figura do migrante “trabalhador” pela figura do migrante potencialmente “criminoso” – tendência que se tem manifestado a uma série de níveis, da proliferação da classificação da mobilidade humana predominantemente em termos da sua “regularidade” ou “irregularidade” ao enquadramento político e institucional da mobilidade humana sob a tutela da justiça e segurança. Como temos podido verificar nestas últimas semanas, esta tendência tem contribuído para que se desenhem linhas divisórias entre pessoas e para que se reforce a percepção da circulação humana como ilegítima, o que não tem deixado de introduzir uma clara e perigosa tensão entre o exercício de soberania nacional e os direitos humanos universais que a própria Europa diz defender e promover.

A amplitude do movimento migratório dos últimos anos, bem como as condições da travessia do Mediterrâneo ou por terra que lhe estão associadas, não nos deixam impassíveis. Nós, investigadores na área das migrações, recusamos legitimar qualquer política de confinamento das pessoas que impeça o exercício do direito fundamental a procurar algures um presente e um futuro melhor. Recusamos compactuar com a instrumentalização do medo e da emoção assente num racismo culturalista dirigido a imigrantes/refugiados que são classificados como “perigosos” com base em critérios de diferença racial ou religiosa. Recusamos a falsificação histórica que representa a Europa como marcada por uma identidade homogénea e todas as narrativas artificiais que inventam e propagam valores exclusivos. Recusamos assistir passivamente a discursos que reforçam a necessidade de medidas securitárias, levando à legitimação de instrumentos desumanos e violentos como as rusgas de imigrantes, os centros de expulsão e as deportações.

Exigimos, pelo contrário, um debate com maior transparência, que não ignore os impactos sociais e humanos das políticas económicas europeias nos países do Sul global ou as responsabilidades especificamente europeias nas intervenções militares que têm destruído e desestabilizado muitos desses países.

Exigimos que esta crise origine uma reflexão alargada e aprofundada sobre as consequências nefastas da militarização das fronteiras exteriores da União Europeia e da securitização da mobilidade humana.

Exigimos ainda que todos os procedimentos relacionados com os imigrantes e refugiados sejam conduzidos com transparência e respeito pelos direitos humanos.

Enquanto investigadores de diferentes ciências sociais como a Sociologia, Antropologia, Geografia, Economia, Ciência Política podemos e devemos dar o nosso contributo para uma reflexão crítica que urge sobre esta realidade, seja na participação no actual debate público ou na tomada de posição para uma sociedade mais plural e inclusiva.

Sábado 10 de Outubro de 2015

Alexandre Abreu, Beatriz Padila, Cristina Santinho, Francesco Vachiano, Inês Espírito Santo, Joana Azevedo, João Baía, Jorge Malheiros, José Mapril, Raquel Matias, Ricardo Falcão, Rui Pena Pires.

Publicado originalmente no Le monde Diplomatique, ed. Portuguesa, reeditado por Buala: http://goo.gl/rb06J3

Seminário de Estudos Linguísticos e Literários de Vilhena – RO

A missão do Seminário de Estudos Linguísticos e Literários de Vilhena é estimular a produção e a socialização do conhecimento, fomentando e valorizando a cultura da especialização acadêmica na região norte.

São duas as matrizes do evento, postas sempre de modo interdisciplinar: as discussões acerca da linguística e seus desmembramentos e as reflexões concernentes aos estudos literários e artísticos. Dá-se também importância, a fim de atender o anseio formativo dos professores da rede pública, às relações acerca desses temas (linguística, letras e artes) com a educação  e o exercício do magistério do ensino fundamental e médio.

Sendo o seu objetivo principal contribuir com a educação e com a formação de professores, e tendo se consolidado como evento dessa natureza em Rondônia e região, o Sell adquiriu o traço pluritemático que o define. A 20ª edição do evento, sem descurar dessa tradição, e seguindo a trilha que se abriu com a criação dos cursos de mestrado em Letras e em Estudos Literários, prossegue a reorganização de sua estrutura e temática. Mantém-se, contudo, o propósito de catalisar o anseio de formação acadêmica, transformando-o em ação educativa, além de testar, afirmar e consolidar as linhas de investigação dos estudos de Letras na Unir e estimular a interação entre graduação e pós-graduação.

Tema do XX SELL

A hiperespecialização nas ciências humanas cumpriu o papel de superar ora a indulgência ora a racionalidade de viés inflexível que durante longos períodos imperou nos estudos da linguagem, obliterando avanços na crítica literária. A hiperespecialização, contudo, trouxe consigo a parcelização do saber, numa complexa disputa e coexistência entre teorias, que coincide com a perda da centralidade da cultura. Nas artes, parece coincidir com a crise do estilo, que indicia tanto uma nova relação entre natureza, valor e forma, como a reconfiguração da crítica.

Inscrições: http://sellunir.wix.com/xxsell

Sindicalismo rural no Acre é tema de debate no PPGLI

Durante todo o dia de hoje, 29, ocorreu o evento “40 anos de sindicalismo rural no Acre: velhos e novos desafios das lutas por terra/território”, com duas Sessões  de Comunicações Orais pela parte da manhã que reuniram cerca de 20 trabalhos de pesquisas concluídas e andamento, além da Mesa Temática, pela parte da tarde, com a presença de Osmarino Amâncio, Dercy Teles, Elder de Paula e Gerson Albuquerque.

Prof. Dr. Marcello Messina (PPGLI-UFAC) participa de 08 eventos acadêmicos em cidades europeias e no Brasil

Com graduação em Língua e Cultura Européia pela Università degli Studi di Catania – Itália, mestrado em Língua e Literatura Moderna pela Università degli Studi di Torino – Itália, mestrado e doutorado em composição musical pela University of Leeds – Reino Unido, Marcello Messina é professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Letras – Linguagem e Identidade da UFAC desde o ano de 2014.

Atualmente, é bolsista  do Programa Nacional de Pós-Doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior, PNDP/CAPES, sob tutoria do Prof. Dr. Gerson Rodrigues de Albuquerque, Coordenador do PPGLI-UFAC.

Entre os meses de fevereiro e julho de 2015, o Prof. Dr. Marcello Messina participou de 08 (oito) eventos acadêmicos em cidades do Reino Unido, Itália, Portugal e Brasil, apresentando trabalhos que versavam sobre identidades e musicalidades italianas.

Para conhecer melhor o trabalho de pesquisa desenvolvido por Marcello Messina, clique here. Abaixo, confira os eventos e descrição dos trabalhos apresentados pelo professor.

Simpósio “Compositional Aesthetics and the Political”. Comunicação: Senza Cialoma: Official Historical Narratives and Sicilian Subaltern Voices. Em 22/02/2015, Londres, Reino Unido.

Encontro “Current Trends in Italian Popular Music Studies”. Comunicação: The Risorgimento Rec(h)anted: Historical Revisionism of the Italian Unification in Songs from Southern Italy. Em 18/03/2015, Hull, Reino Unido.

Simpósio “Intersections/Intersezioni”. Comunicação: Reshaping Impegno in Italian Contemporary Music: The Case of Emanuele Casale. Em 05/06/2015. Florência, Itália.

Congresso“Performa15”. Comunicação: Contemporary Music, Unofficial Languages, Subaltern Voices: A Practice-Led Study on Setting and Performing Musical Pieces in Sicilian. Em 13/06/2015, Aveiro, Portugal.

Congresso Anualda Canadian Society for Italian Studies. Comunicação: Liberazione, riscatto e indipendenza: utopie contemporanee nella musica popolare del Sud Italia. Em 20/06/2015, Sorrento, Itália.

Congresso Anual da American Association of Teachers of Italian. Comunicação: Renegotiating Sicily’s Role in Contemporary Popular Music. Em 23/06/2015, Siena, Itália.

Simpósio “Keep it Simple, Make it Fast! Comunicação: Cattivi Guagliuni: The identity politics of 99 Posse. Em 15/07/2015, Porto, Portugal.

XXVIII Simpósio Nacional de História – ANPUH. Comunicação: Desdizendo o Risorgimento: Narrativas revisionistas nas canções do Sul da Itália. Em 31/07/2015, Florianópolis, SC, Brasil.