GRUPOS TEMÁTICOS

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GRUPOS TEMÁTICOS

GT01: Estudos Toponímicos no Acre e no Tocantins: resultados, desafios e perspectivas

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Alexandre Melo de Sousa (PPGLI/UFAC)

Karylleila dos Santos Andrade (PPGL/UFT)

RESUMO: A toponímia é uma subárea da Onomástica, a qual está vinculada aos estudos do léxico. Cabe à toponímia o estudo dos nomes de lugares, considerando a heterogeneidade da origem e motivação das denominações (DICK, 1986, 1990). É fundamental compreender os topônimos a partir dos diferentes significados, olhares e áreas de atuação, pois, por se organizarem de maneira dinâmica, constantemente (re)inventam-se no tempo e no espaço, sobrepondo-se a valores socioculturais, identitários, econômicos, políticos e religiosos (ANDRADE, 2006; SOUSA, 2007). No nosso entender, reconhecemos o nome de lugar como sendo um patrimônio linguístico e cultural, testemunho de uma comunidade. Materializado e corporificado, ele é um produto e o reflexo social e cultural da cosmovisão de um grupo. Considera-se, ainda, que os estudos toponímicos constituem recortes do léxico regional. Como assinala Isquerdo (2001, p.91),o estudo sobre o léxico regional é capaz de fornecer “ao estudioso, dados que deixam transparecer elementos significativos relacionados à história, ao sistema de vida, à visão de mundo de um determinado grupo”.Este GT tem como proposta apresentar os resultados dos trabalhos desenvolvidos na área dos estudos toponímicos nos estados do Acre e do Tocantins. Além disso, intencionamos discutir os desafios e as perspectivas que envolvem a temática dos nomes de lugares, numa perspectiva interdisciplinar. Serão contemplados resultados de pesquisas concluídas, estudos em andamento, tanto relacionados aos domínios teóricos, quanto relacionados aos domínios práticos (por exemplo, referentes à toponímia e ensino).

GT02: Investigações e práticas pedagógicas: o vir a ser professor de língua(gem) na Educação Básica

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Francemilda Lopes do Nascimento (UFAC)

Raquel Alves Ishii (UFAC)

RESUMO: O Grupo Temático “Investigações e práticas pedagógicas: o vir a ser professor de língua(gem) na educação básica” constitui-se, desde o ano de 2014, como um espaço de debates e reflexões sobre a formação de professores de línguas, com o objetivo refletir sobre a prática docente de professores da Educação Básica pautadas por uma visão sociointeracional de língua(gem) (Bakhtin/Volochínov, 2011, 2014) e de ensino-aprendizagem (Vigotski, 1998). Experiências exitosas, projetos educacionais, abordagens de gêneros textuais, uso de Tecnologias da Informação e da Comunicação, elaboração de material didático, narrativas de professores, estudos de caso, produção de alunos, bem com vivências de bolsistas de iniciação à docência, de estagiários em supervisão, de licenciandos em atividades investigativas, constituem os temas sobre as quais se assentam as reflexões do grupo.

GT03: Descrição Linguística e Ensino de Línguas: diversidade de concepções teórico-metodológicas

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO:  Gabriela Oliveira-Codinhoto (UFAC)

Paula Tatiana da Silva-Antunes (UFAC

RESUMO: Este Grupo de Trabalho (GT) tem como objetivo promover uma discussão de pesquisas que tenham como foco a descrição e a análise linguística e/ou o ensino de línguas, de modo a fomentar o debate entre diversas perspectivas e metodologias nessas áreas.  Tais pesquisas voltam-se para a análise do dado linguístico tendo em vista o texto/discurso, das quais se destacam: Semântica Argumentativa, Análise do Discurso, Linguística de Corpus, Linguística Aplicada, Lexicologia, Sociolinguística, Gramática Funcional, Análise da Conversação, Teoria de Gêneros Textuais, Estudos de Letramentos, entre outras que, sob diferentes abordagens, consideram os elementos da enunciação ou da interação na constituição dos sentidos na linguagem. O diálogo entre tais áreas, além de necessário e desejável para que as pesquisas em áreas específicas da Linguística não estejam apartadas umas das outras e do estudo geral da linguagem, é também produtivo, já que essas áreas compartilham uma característica teórico-metodológica essencial: uma concepção de língua que está vinculada diretamente ao seu contexto (imediato e/ou sócio-histórico e discursivo) de uso. Além de dialogar com as propostas dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que centralizam o ensino de línguas nas relações interpessoais (expressão e compreensão faladas e escritas), por meio de textos produzidos em contextos reais de interação, de forma a proporcionar uma convergência entre as bases da pesquisa científica em Linguística e Educação Básica, este GT abre a possibilidade de apresentar propostas e trabalhos que transitam entre os pilares da Educação Superior – Ensino, Pesquisa e Extensão –, principalmente no campo das licenciaturas em Letras nos contextos amazônicos, em que se insere a Universidade Federal do Acre e outras Instituições de Ensino Superior da região Norte.

GT04: Diálogos sobre paisagens insólitas em cidades e florestas amazônicas

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Gerson Rodrigues de Albuquerque (UFAC)

Francisco Bento da Silva (UFAC)

RESUMO: Modernidade e colonialidade estão na base da constituição de nossos imaginários e de nossas realidades amazônicas, seguindo o modelo do projeto imperial do “homem europeu” em expansão para o mundo não-europeu, desde o século XVI (ANTONACCI, 2013). As percepções estéticas de nossas cidades e de nossas florestas, para fugirmos do jargão campo-cidade, foram tecidas a partir de sonhos e projeções colonizatórias. No âmbito das inúmeras e, muitas vezes, rudemente belas narrativas, sejam elas romances, relatos de viagem, ou mesmo a escrita historiográfica e jornalística, os artífices dos impérios ocidentais sonharam nossa geografia antes de expandirem seus territórios pelos universos americanos, africanos e asiáticos, nos adverte Edward Said (1995). O fantástico esteve na base desses sonhos, tecendo nossas subjetividades em eterna condição de geografias e seres vazios de humanidade e de civilização. Nossa realidade é extraordinariamente ficcional; nossas casas, prédios e praças “modernas” encerram urbanidades espetaculares, de tempos em tempos abandonadas, ao sabor do trânsito de mercadorias e de matérias primas de interesse do mercado. Nossas florestas são selvagens e/ou civilizadas, lugares de barbárie e seres exóticos ou de sustentabilidade, ao sabor do mesmo mercado. Seguindo as premissas de Bhabha (2005), Hall (2003) e Glissant (2005), que nos convidam às leituras de nossos [não] locais da cultura, o objetivo do presente Simpósio Temático é abrigar reflexões que coloquem no centro do debate as existências materiais e simbólicas das cidades e das florestas amazônicas, problematizando suas “fantasmagorias modernas” e suas lógicas coloniais articulando o que somos e o que não somos em meio a paisagens que nos transformam em habitantes de lugares cenários ou, nas implacáveis e ingenuamente reproduzidas palavras de Euclides da Cunha (1967), em “fantasmas vagabundos” percorrendo bucólicos caminhos em meio à selva e em meio à cidade – na selva – ou penetrando “amplos recintos de águas mortas”. No centro de tais reflexões, consideramos de fundamental importância interrogar os silêncios sobre a imagem do abandono que paira sobre um significativo conjunto de cidades amazônicas e seu aparente oposto, as florestas que as circundam, alvos de inesgotável mercantilização. Imagens súbitas de cidades como Xapuri, Brasiléia, Iñapari, Assis Brasil, Cobija, Tarauacá, Humaitá, Sena Madureira e grande parte dos territórios de Rio Branco e Porto Velho, para citarmos alguns exemplos, nos remetem à Macondo, dos “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marques ou ao povoado de Comala, de “Pedro Páramo”, de Juan Rulfo, essas tessituras de uma literatura indoamericana que nos faz mergulhar em inquietações frente ao insólito de nossas paisagens – “urbanidades” e “ruralidades” – na condição de criaturas sem direitos, sem cultura e orfãs à espera de uma civilidade proveniente do norte. Dialogar sobre essas questões, tendo como referencial o patrimônio de nossas culturas materiais e imateriais, resultado de muitas misturas, encontros e desencontros pode ser um caminho para desvendarmos alternativas metodológicas e categorias de análise multidisciplinar e indisciplinar que nos permitam romper silêncios ou transformá-los em algo mais que fantasmagorias sem sentido.

GT05: Música como um instrumento histórico-social que envolve a memória coletiva e a individual do sujeito que com ela dialoga

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Heliana Rodrigues de Bitencourt (SEDUC/PA)

RESUMO: A relevância do tema proposto para compor os grupos de  GT do I Encontro do Grupo de Estudos Linguísticos e Literários da Região Norte (GELLNORTE), cujo tema geral é: “Linguagens, Fronteiras e Interculturalidade: os desafios para os estudos linguísticos e literários na Pan-Amazônia dos tempos presentes”,surge da necessidade de agregar pesquisadores da área de Artes e áreas afins que pesquisam Música como uma das manifestações artísticas mais importantes para uma sociedade e que precisa ser notada, não apenas como um instrumento artístico, como instrumento histórico-social presente em nossas vidas. A Música está além do fator sentimental, além do ato de produzir e ouvir pelo prazer. Ela está intimamente ligada a um período histórico de uma determinada sociedade, ou seja, está relacionada e contextualizada a um tempo específico e consequentemente aos fatores sociais de sua época. Assim, podemos relacioná-la, também, a Memória Coletiva de uma geração e suas representações culturais. A transmissão musical, no entendimento de Queiroz (2010), além de ensinar, compreende a difusão de valores, significados, relevância e aceitação dos gêneros musicais. Faz parte dessa constelação a religiosidade do povo, o conhecimento do espaço onde ele vive suas experiências, as tradições preservadas, identidades, entre outros aspectos presentes na interface entre música e cultura. A música não abrange um saber universal e singular, mas uma constelação de significados determinados pelos diferentes contextos humanos onde é produzida. A música incorpora distintas raízes e matrizes culturais, bem como a pluralidade de dimensões, como evidencia Sardo (2013, p.71): “O acontecimento musical obriga à coincidência entre o ser e o estar, entre o saber e o fazer, entre o pensar e o agir, entre o tempo, o espaço e o lugar.”            Essa pluralidade confere à música a condição de ser uma arena de diálogo entre diferentes culturas, ou seja, um único gênero musical pode contemplar fatos históricos, as características culturais de uma sociedade, a interação com outros tipos de conhecimentos e culturas.  Desta forma, constitui-se como objetivo da proposta deste GT: socializar e discutir as contribuições das produções, dos ritmos e dos estilos musicais no Brasil, assim como analisar a relevância e o legado de sujeitos como: compositores e interpretes ao longo da história da Música Popular Brasileira.  A temática apresentada pode se ancorar, além das obras já citadas, em obras como de Theodor W. Adorno: “Introdução à Sociologia da Música” que nos ajudará a compreender a função da Música e nos trará outras perspectivas para o seu conceito, Halbwachs: “A Memória Coletiva” para dialogar acerca da memória individual e coletiva do indivíduo, além de artigos como: “A Música, uma das chaves para a compreensão do tempo” de Ricardo da Costa, Doutor e Professora da Universidade Federal do Ceará, e outras produções acadêmicas que nos ajudarão a fomentar nossa discussão acerca da Música, História e Memória.

GT06: Tradução de línguas e linguagens no contexto Amazônico

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Iliane Tecchio (IFAC)

Luciana Maira de Sales Pereira (IFAC)

RESUMO: Considerando-se que a localização geográfica dos estados da região Norte favorece o intercâmbio de línguas e culturas além-fronteiras e que os estudos tradutológicos realizados no contexto acadêmico amazônico ainda são escassos quando comparados aos de outras regiões do país, sobretudo às regiões Sul e Sudeste, o Grupo Temático “Tradução de línguas e linguagens no contexto amazônico”justifica-se no sentido de trazer à tona as pesquisas sobre tradução realizadas no âmbito desta região. Este GT tem como objetivo principal fomentar discussões referentes aos Estudos da Tradução no cenário amazônico, no sentido de ampliar e fortalecer os trabalhos dessa área de pesquisa e concentração. A tradução cruza fronteiras para além da transposição meramente linguística, de ser uma “subcategoria da Literatura Comparada”, envolvendo um universo mais amplo e se estabelecendo como uma disciplina que é a dos Estudos da Tradução (BASSNETT, 2003). Segundo Jakobson (2010), a tradução é um processo cognitivo que percorre as diferentes esferas da linguagem, perpassando desde o território linguístico da tradução sígnica dos mais diversos tipos de textos ao universo das outras linguagens não-verbais. Assim, o linguista elencou três maneiras de interpretar um signo verbal, classificando-as em três tipos de tradução: a intralingual, a interlingual e a intersemiótica. A tradução intralingual consiste na interpretação dos signos verbais por meio de outros signos da mesma língua e poderia ser considerado um processo de reformulação (rewording). Já a tradução interlingual corresponde à prática da tradução propriamente dita e consiste na interpretação dos signos verbais por meio de outra língua. Por fim, a tradução intersemiótica ou transmutação consiste na interpretação dos signos verbais por meio de sistemas de signos não-verbais, tais como a música, a dança, o cinema ou a pintura (JAKOBSON, 2010, p. 81).Neste sentido,este GT se estruturará em torno de apresentações orais de pesquisas, experiências e estudos de casos relacionados às três esferas da tradução estabelecidas por Jakobson e suas relações entre língua, linguagem, literatura e cultura que foram ou estão sendo realizados na região Norte.

GT07: Fronteiras permeáveis: trânsitos e (des)construções das representações das Amazônias

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Jefferson Henrique Cidreira (SEE/AC)

Márcio Roberto Cavalcante (UFAC)

RESUMO: Pretendemos discutir as representações do outro na Pan-Amazônia através da análise do cânone literário de Euclides da Cunha, século XX, e, logo, os construtos que perduram até hoje à Amazônia, principalmente ao território acreano. Como Euclides deixou de herança discursos de uma “terra sem história”, lugar de desterro, isolamento, “inferno verde”, que influenciaram outros autores e “cimentaram” a “imaginação geográfica” da Amazônia. E, ao trazer à tona tais representações construídas pelo olhar do outro sobre o “eu”, utilizaremos como aporte teórico/ metodológico o navegar pelas disciplinas da geografia, história e literatura, por suas fronteiras, que são pontos de encontros, permeáveis e não rígidas, assim usaremos uma análise discursiva de Bakhtin e M. Foucault, e os estudos culturais no víeis da crítica pós-colonial, história e geografia de Edward Said, Paul Claval, Roger Chartier e Silviano Santiago, a fim de desmistificar, (des) construir tais representações, e instituir um novo olhar tendo como locus o homem/mulher amazônico.

GT08: Fonologia, variação e ensino

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: José Magalhães (UFU)

Natália Cristine Prado (UNIR)

RESUMO: Embora os sons da fala humana sempre tenham chamado a atenção dos interessados nos estudos das línguas, foi no início do século XX que a Fonologia se consolidou como um campo dos estudos linguísticos. Atualmente, os pesquisadores dessa área, conscientes de que a homogeneidade linguística não passa de um mito, reconhecem como sendo de fundamental importância que o estudo do sistema fonológico leve em consideração a variação dialetal e a aquisição da linguagem oral e escrita. Além disso, é importante que contribuições relacionadas aos estudos de Fonologia e Variação Linguística consigam interagir com a sala de aula e com os profissionais que nela atuam. Desse modo, o GT “Fonologia, variação e ensino” pretende reunir pesquisadores e professores que se interessem pelos estudos de Fonologia, Variação Linguística e Ensino de Língua Materna e Estrangeira. Serão aceitos trabalhos que congreguem pesquisas teóricas ou aplicadas ao ensino, como análises fonéticas e fonológicas; estudos de variação e mudança fonológica; prosódia, entonação e rimo; aquisição fonológica; fonologia e escrita; fonologia e ensino, incluindo propostas para aplicação da fonologia ao ensino. Este GT será uma oportunidade para se promover interlocução entre interessados nessas áreas de investigação, sobretudo pesquisadores da região norte do Brasil. Por meio do diálogo com os pares, virão à tona desafios teóricos e metodológicos, bem como necessárias reflexões a respeito de como aprimorar nossos estudos e de como levá-los para a prática de sala de aula.

GT09: Debates contemporâneos em torno da literatura latino-americana: política, estética, cultura e mercado

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Juciane Cavalheiro (UEA)

Allison Leão (UEA)

RESUMO: Este Grupo de Trabalho tem o propósito de promover discussão sobre aspectos contemporâneos da literatura latino-americana. Em termos históricos, o que ora nomeamos contemporâneo é o período que se inicia após o ciclo de ditaduras que varreu o continente na segunda metade do século XX, o que se localiza em torno do fim dos anos 1970 e se estende até os dias atuais.A literatura pós-ditatorial testemunharia, conforme Idelber Avelar, “esta vontade de reminiscência, chamando a atenção do presente a tudo o que não se realizou no passado, recordando ao presente sua condição de produto de uma catástrofe anterior, do passado entendido como catástrofe” (2003, p. 238). Nesse arco histórico, interessa-nos o debate acerca das transfigurações de categorias como política, estética, cultura e mercado, tópicos que entendemos como catalizadores das transformações da arte literária e sua interação com a sociedade, sobretudo no contexto da América Latina, nos últimos 40 anos. Nesse período, conhecemos tanto fenômenos de rarefação da noção de Estado Nacional, como aponta Canclini (2002), quanto uma nova guinada desta imagem, fortalecendo-se na reemergência atual dos nacionalismos, o que suscita, nesse autor, o questionamento que podemos tomar para nós, neste GT: o que significa ser latino-americano? Da abrangência dessa geografia cultural às particularidades da produção de suas regiões específicas, nosso debate tentará dialetizar esses extremos, na esteira da abordagem crítica de um Ángel Rama (2001), que, mapeando a produção narrativa do continente, tanto observou elementos transversais e comuns nas suas várias culturas literárias como analisou aspectos próprios de literaturas como a brasileira e caribenha. É importante observar que uma leitura ainda mais detalhada é possível e bem-vinda para este GT, a que se volta à produção literária de regiões transnacionais (ao mesmo tempo aquém e além da nação), como a Amazônia, os Llanos ou o Pampa. Podemos nos valer das questões-síntese propostas por Beatriz Resende: “Como se organiza a vida literária, neste momento, nas diversas partes da América Latina? De que forma repercute interna e externamente a produção de nossos escritores? O que pode haver em comum entre criadores que se utilizam de […] línguas diferentes, ainda que próximas? Que referências permanecem, quais são rejeitadas? De que maneira transita a crítica literária entre esses textos, buscando um discurso crítico e um campo teórico comum?” (2008, p. 64). Interessa-nos, pois, o recebimento de propostas que, atentas à literatura latino-americana dos últimos 40 anos, intencionem discutir temas relacionados à problematização literária dos modelos políticos pós-ditatoriais, da emergência de vozes marginais no campo sociocultural, das experiências estéticas, das relações de mercado no campo da arte.

GT010: Recursos e materiais didáticos para o ensino de língua portuguesa na educação básica

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Lindinalva Messias do Nascimento Chaves (UFAC) Rosane Garcia Silva (UFAC)

RESUMO: Este grupo temático propõe-se a discutir, com os profissionais da rede pública de ensino básico do Estado, e com a sociedade em geral, ações e pesquisas voltadas para a elaboração de recursos e materiais a serem utilizados em sala de aula no referido nível de ensino. O objetivo é abrir espaço para a discussão dessas pesquisas, suas dimensões e os aportes que podem trazer para o processo de ensino/aprendizagem de língua portuguesa no ensino fundamental. São bem vindas as pesquisas engendradas no âmbito do Programa de Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), em suas diferentes perspectivas teóricas. São igualmente bem vindos trabalhos, não necessariamente desenvolvidos no PROFLETRAS, mas voltados para a avaliação e elaboração de materiais didáticos, tendo por objeto da avaliação e/ou da proposta de material didático fenômeno de qualquer natureza linguística (fonético-fonológica, morfológica, sintática, lexical, entre outros), desde que sejam aplicáveis às séries da educação básica. São ainda bem vindas pesquisas voltadas para questões ligadas ao letramento, ao aprendizado da leitura e da escrita e ao ensino da literatura, com propostas didáticas igualmente aplicáveis ao nível fundamental. Este GT possibilita a alunos, pesquisadores e professores, uma oportunidade de discussão e de compartilhamento de trabalhos de produção de materiais e recursos didáticos para uso em salas de aula da educação básica. Por se tratar de uma proposta ampla que irá trazer para a discussão pesquisas ligadas a vertentes teóricas várias, não há um referencial teórico-metodológico obrigatório, devendo-se, no entanto, atentar para os eixos do debate: propostas de materiais e recursos pedagógicos; ensino de língua portuguesa na educação básica. Apresentamos, apenas a título de sugestão, alguns autores e obras nas referências.

GT011: Linguagem, direito, economia e filosofia: enlaces e perspectivas decoloniais

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Linneker Belinni Jovino Maia (UFAC)

Tayson Ribeiro Teles (UFAC)

RESUMO: Pensando que “nossa educação expressa, reproduz e fundamenta a colonização que marca nossos saberes, práticas e poderes” (ZANOTELLI, 2014, p. 491) e que a decolonialidade é “uma verdadeira virada epistêmica ou gnoseológica que nos permite desvelar o momento inicial de qualquer reflexão” (PAZELLO, 2016, p. 233), o presente Grupo de Trabalho (GT) tem o desiderato de agasalhar debates acerca de temas diversos imanentes a interfaces entre Linguagem, Direito, Economia e Filosofia. Objetiva-se receber trabalhos atinentes a visões decoloniais das temáticas suscitadas, por meio dos quais seus(uas) autores(as) intentem reflexões críticas sobre variados temas. Não podemos fugir à imprescindível crítica à Economia e ao Direito enquanto “Ciências” com normatividades exacerbadas e espelhos eurocêntricos engendradores de torções diárias aos mais prudentes princípios e direitos humanos e, nesta oportunidade, nos valemos da Linguagem e da Filosofia para pensar criticamente. A economia e suas teorias manipulam valores humanos, o Direito precifica a vida, com fianças, multas e indenizações. Como clarifica Warat (1979, p. 86), “os discursos dos juristas não estão comprometidos com a verdade, mas, sim, com a utilidade e o convencimento, ou seja, encontram-se no âmbito da retórica e não da epistemologia, pois constituem a perversão do conhecimento e não um diálogo constante com a realidade”. Na economia de mercado vigente transborda individualismo, egoísmo, capitalismo e (neo)liberalismo. Segundo Schopenhauer (2001, p. 121), “o egoísmo é colossal, ele comanda o mundo. Se fosse dado, pois, a um indivíduo escolher entre a própria aniquilação e a do mundo, nem preciso dizer para onde a maioria se inclinaria”. Nada na história humana é imotivado. O fim das penas corpóreas, enforcamentos, fogueiras entre outras sanções outrora legalizadas, por exemplo, “não se deve ao crescente espírito de humanização do sistema mercantil, mas ao interesse desse sistema econômico por mão de obra barata […] dos detentos reintegrados” (SACADURA ROCHA, 2011, p. 6). Devemos, com efeito, problematizar nossas hodiernas “Ciências” Econômica e Jurídica. Hoje em dia, “as pessoas, protagonistas do processo, são transformadas em autor e réu, reclamante e reclamado […], ocorre uma espécie de ‘coisificação das relações’ jurídicas” (STRECK, 2012, p. 190). Nesse contexto, pensado no Direito como o principal instrumento ideológico-social existente, dado o seu aspecto cogente (obrigatório para todos),“eis o momento de se propor um saber inserido na historicidade, resultado de uma relação de conhecimento do jurista com o mundo […], apto a formular conceitos teórico-práticos para mudá-lo [o mundo]. Um saber que, conhecendo o direito positivo, explique-o teoricamente, a sua lógica e o seu funcionamento, ao mesmo tempo em que, captando-o como resultante de relações de poder, promova e reclame a afirmação dos direitos necessários à defesa e à promoção da dignidade humana” (ALVES NETO, 2012, p. 71).É necessária a construção de uma nova forma de criar, enxergar/interpretar e aplicar o Direito, uma forma que “[…] possibilite ao ator do Direito a compreensão da problemática jurídico-social, inserida no contexto de uma sociedade excludente como a brasileira, onde a dignidade da pessoa humana tem sido solapada desde o seu ‘descobrimento’. Dito de outro modo, os juristas brasileiros não podem (continuar a) comportar-se como o sujeito que está à beira do Vesúvio prestes a entrar em erupção. As lavas (da crise social) cobrirão a tudo e a todos, e, ao invés de construírem barreiras para evitar que as lavas cubram suas casas e a cidade, nossos juristas ficam tranquilos, tratando de arrumar o quadro de Van Gogh na parede” (STRECK, 2014, p. 98-99). Ademais, em respeito à interdisciplinariedade – elemento basilar da cultura, da identidade e da linguagem, o GT também aceita pesquisas sobre temas gerais de todas as ditas Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

GT012: Música e decolonialidade

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Marcello Messina (UFAC)

Jairo de Araujo Souza (UFAC)

RESUMO: O presente grupo de trabalho pretende reunir pensamentos e propostas a partir do convencimento que a música, tanto como evento isolado, quanto (e sobretudo) em associação com textos, imagens e outros meios semióticos, possa promover a formulação de traços contra simbólicos e discursos de resistência e desobediência epistêmica. Tendo como referencial teórico os trabalhos de Walter Mignolo, Anibal Quijano, Enrique Dussel, Homi Bhabha, Jacques Attali, Raymond Monelle, Philip Tagg, e outros, este GT pretende reunir várias abordagens à investigação de músicas de estilos, épocas e lugares disparados, na tentativa de revelar maneiras e graus de complexidade diferentes em que canções, peças, eventos, práticas, e signos conectados a fatos musicais contestam (ou reproduzem) determinados discursos sobre lugares, comunidades e grupos sociais. Apesar do foco na música, o GT é declaradamente multidisciplinar, sendo aberto a estudantes, professores e pesquisadores no campo da música, das artes cênicas e visuais, assim como dos estudos culturais, da literatura, da história, das ciências sociais e da antropologia. Apresentações que envolvam demonstrações práticas (de canções e composições musicais, assim como de artes visuais ou cênicas) são também encorajadas.

GT013: Poesia nos espaços públicos: lirismo e resistência política

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Márcio Araújo de Melo (PPGL/PROFLETRAS/UFT)

Luiza Helena Oliveira da Silva (PPGL/PROFLETRAS/UFT)

RESUMO: A maioria dos trabalhos em torno da leitura literária privilegia a perspectiva do leitor no âmbito privado (a instância da casa, a subjetividade das escolhas, o prazer, a fruição) ou nos espaços formais da escola ou da universidade (a formação do leitor, a escolarização da leitura). Multiplicam-se, contudo, as manifestações poéticas que invadem e subvertem o espaço público ou o espaço virtual, ganhando outros leitores, constituindo novas práticas de leitura e intervenção. Muitas vezes, a dimensão poética se alia ainda à dimensão política, o que justifica também que, na contramão da expressão plural, se insurjam sujeitos que busquem coibir ou controlar o que pode ser visto ou lido (como no recente caso dos grafites/pichações em São Paulo). Ao mesmo tempo, a estética das ruas vai sendo apropriada pelos autores de livros, como o faz Pedro Gabriel em “Eu me chamo Antônio”.  Nesse autor, a gestualidade de quem rabiscava versos nos guardanapos se materializa em livro e página eletrônica. Há ainda a possibilidade de pensar as tatuagens quando o próprio corpo se apresenta como espaço de inscrição do poético (e do político). Algumas questões então emergem: os livros didáticos contemplam essa estética mais urbana advinda de autores jovens? Como o periférico e as margens ganham expressão nesse tipo de produção? Como as redes sociais contribuem para novas formas de produção e divulgação literária na contemporaneidade? Como se dão essas recepções? Como essas dinâmicas se desdobram e complexificam a leitura, a produção e a recepção no atual contexto? Está aí implicada uma dimensão política? Uma política do corpo? Nosso simpósio abre-se, assim, a diferentes objetos e perspectivas teóricas da literatura, da linguística, das artes visuais, das ciências sociais e da educação.

GT014: TICs e formação de professores: fronteiras e linguagens

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Maristela Rosso Walker (UFAC)

Denise Rosana da Silva Moraes (PPGSCF)

RESUMO: Se por um lado é impensável ignorar a importância da tecnologia na vida das pessoas na atualidade, por outro, o uso dessa tecnologia na sala de aula ainda gera grandes debates entre educadores e acadêmicos. Escolas, professores, alunos, cotidianamente travam enfrentamentos quanto ao uso ou não do celular em sala de aula (previsto até em regulamentos); da internet para pesquisas e consultas (porque o acesso aos livros é uma necessidade para reconhecimento de cursos inclusive); e do computador como uma ferramenta de apoio que poderia substituir o caderno, entre tantas outras possibilidades tais como o uso de aplicativos, vídeos, etc. Indaga-se: Como transformar os investimentos (muitas vezes altos) em tecnologia em ideias que de fato melhorem o desempenho e aprendizado dos alunos? É possível usar a tecnologia em favor do professor e do aluno em sala de aula de forma crítica para que ocorra o processo de ensino e aprendizagem? Não há consenso sobre o assunto, e muitos estudos ainda não encontraram correlações diretas entre uso da tecnologia e melhor aprendizado. Mas pesquisadores acreditam que se internet, tablets, computadores, aplicativos e outras plataformas forem usadas para estimular a imaginação dos alunos e amparar o trabalho do professor, com objetivos claros, podem ter impactos positivos não apenas no desempenho dos estudantes, mas no desenvolvimento de habilidades e no engajamento dos mesmos. É com essa premissa que objetivamos apresentar os resultados de trabalhos de pesquisa relacionados ao uso de TICs na Formação de Professores oriundos de grupos de pesquisa relacionados à: Mídias e Formação de Professores; Cinema, Mídias, Educação e Cultura; Cultura, Identidade, Gênero, Inclusão e Formação de Professores que são o grupo/linhas de pesquisa aos quais as pesquisadoras se debruçam e acompanham pesquisas.O aporte teórico-metodológico vincula-se ao arcabouço dos estudos culturais, sendo que as análises dos resultados pautam-se na análise de conteúdo, netnografia, análise do discurso e outras metodologias que se fizerem pertinentes, visto que os estudos culturais não têm como premissa estabelecer fronteiras epistemológicas.

GT015: Diálogos e reflexões sobre o ensino da literatura: um olhar sobre teoria e prática

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Michele de Lima Assunção (UFAC)

Michelle Braz Nogueira (UFAC)

RESUMO: O ensino de literatura nas escolas nunca foi um campo pacífico, aberto a discussões e mudanças de concepções ao longo dos tempos. No entanto, é notório que este ensino passa por uma grande crise de identidade, uma vez que não se sabe bem o que ensinar, de que forma e se ainda resta espaço nas aulas para esta disciplina que, outrora, permeou práticas de aquisição da língua padrão. A aversão dos alunos, por ler textos literários, e a falta de subsídios para que um ensino significativo aconteça, também é um fator agravante nesta questão. Por isso, é necessário que docentes repensem suas práticas buscando meios para que o ensino da literatura saia da inércia que o acomete no ambiente escolar, e assim, os educandos passem a contemplar as obras literárias com um novo olhar, ao desvelar sua capacidade de representação do mundo, seus saberes e sua riqueza plurissignificativa. Para que se efetive tal intento, é preciso que todas essas questões sejam debatidas, visto que, compreender a importância da literatura na vida do ser humano e construir práticas metodológicas significativas para um ensino de literatura eficaz é essencial para formação de leitores proficientes, capazes de expandir a experiência escolar para leituras mais densas e completas.Tendo em vista essas prerrogativas, a proposta deste grupo de trabalho preconiza discutir sobre a efetividade do ensino de literatura nas escolas públicas brasileiras e suas práticas, bem como,refletir sobre a mediação do professor e a construção de práticas metodológicas significativas para este ensino.Ademais, pretende-se debater projetos e pesquisas atinentes ao ensino da literatura como: relatos de experiências, trabalhos que mostrem as fragilidades e potencialidades de professores no desenvolvimento de práticas de leitura literária;a pertinência da análise de atividades tidas como ensino de literatura nos livros didáticos, bem como em outros materiais dos quais tenham acesso os professores; e ainda a falta de subsídios didáticos para o trabalho com a literatura. Desta forma, a proposta permite o diálogo e reflexões de estudiosos que versam sobre a importância da literatura, leitura literária no ambiente escolar e a busca pelo letramento literário, como Cosson e Paulino, Barthes, Todorov, Candido. Espera-se com esse trabalho que os docentes possam refletir sobre práticas correntes nas salas de aula, o valor do ensino de literatura pautado no texto e, dessa forma, enriquecer a discussão em torno das teorias e métodos propostos no intuito de propiciar o acesso à práticas transformadoras que tenham como foco o fazer literário.

GT016: Processo ensino-aprendizagem de Língua(s) e (Multi)letramentos

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Odete Burgeile (UNIR)

Daianne Severo da Silva (UNIR)

RESUMO: O processo ensino-aprendizagem de línguas tem sido temática muito discutida no mundo contemporâneo, principalmente no que se refere às dificuldades encontradas junto aos sujeitos do ensino e da aprendizagem, docentes e discentes, nos espaços públicos de educação. Aprender uma língua estrangeira, até poucos anos atrás, dava-se em sala de aula apenas. De modo geral, resumia-se a aprender regras gramaticais, leitura de textos para posterior exercício de compreensão e ainda exercícios de audição, o que resultava em discursos desmotivadores, uma vez que o inglês era visto como difícil, não tendo nenhum uso real para os estudantes da língua (HOLDEN, 2009). Essas, dentre outras crenças, ainda fazem parte do cotidiano dos sujeitos envolvidos no processo ensino e aprendizagem de línguas. Considerando esses apontamentos, acrescentamos o (multi)letramento, que vem sendo tema de discussão, como um viés para as aulas de línguas, seja materna ou estrangeira. Neste campo, evidenciamos, sobretudo, o trabalho com textos, de modo a valorizar os conhecimentos enciclopédicos dos discentes (ROJO e MOURA, 2016). Avaliamos relevantes estes estudos, a partir de análise de discursos dos sujeitos envolvidos neste processo, uma vez que nosso intento é promover reflexão sobre as problematizações emergidas dos espaços públicos de educação, no que tange ao processo ensino e aprendizagem de línguas. Para tanto, faz-se interessante o trabalho por meio do método teórico discursivo, de forma que pesquisas que abordem a funcionalidade dos discursos dos sujeitos, atores da sala de aula, ganhem relevância para o contexto abordado (ORLANDI, 2012). Espera-se, com o foco registrado nesta discussão, promover reflexões concernentes às práticas no contexto do processo ensino e aprendizagem de línguas, bem como às inscrições dos envolvidos no processo.

GT017: Estudos sobre descrição e análise de Línguas Indígenas

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Selmo Azevedo Apontes (UFAC)

Quesler Fagundes Camargos (UNIR)

RESUMO: O GT tem como objetivo reunir trabalhos sobre descrição e análise de línguas indígenas. Justifica-se nas oportunas palavras de Aryon Dall’Iigna Rodrigues, ditas em 1966, expondo as tarefas da linguística no Brasil: “As línguas indígenas constituem um dos pontos para os quais os linguistas brasileiros deverão voltar a sua atenção. Tem-se aí, sem dúvida, a maior tarefa da linguística no Brasil. […] Cada nova língua que se investiga traz novas contribuições à linguística; cada nova língua é uma outra manifestação de como se realiza a linguagem humana; […]  cada nova estrutura linguística que se descobre pode levar-nos a alterar conceitos antes firmados, e pode abrir-nos horizontes novos para a visualização geral do fenômeno da linguagem humana. […] Desde que se tenham algumas descrições de línguas, aparecerão espíritos curiosos bastante para dedicar-se a comparar essas descrições e daí tirar conclusões, classificando as línguas como relacionadas umas com as outras ou como pertencentes a tipos semelhantes num ou noutro particular, e para fazer deduções de ordem mais profunda, no  âmbito da linguística geral e no campo das ciências antropológicas” (RODRIGUES, 1966, p.4-5). Embora os trabalhos relativos às línguas indígenas tenham aumentado significativamente nos últimos anos, principalmente a partir do final do século XX, é fato que, mesmo depois de 51 anos da publicação do texto, a tarefa apontada por Rodrigues (1966) ainda está por fazer. Com efeito, das prováveis 180 línguas faladas atualmente no Brasil, há algumas que receberam pouca atenção de linguistas e muitas que ainda não possuem um estudo exaustivo, geralmente publicado por meio de gramáticas descritivas. Para se ter uma ideia do atual estado de descrição dessas línguas, Moore (2007b) afirma que, de todas as línguas indígenas brasileiras, apenas 9% possuem uma descrição completa (i.e. descrição da gramática, coletânea de textos, dicionário); 23% apresentam uma descrição avançada (i.e. tese de doutorado ou muitos artigos); 34% possuem uma descrição incipiente (i.e. dissertação de mestrado ou alguns artigos); e 29% dessas línguas não possuem trabalhos com alguma importância científica. Além disso, segundo Moore (2007a), 23% das línguas brasileiras estão ameaçadas de extinção em curto prazo, por causa de seus números reduzidos de falantes e de baixa transmissão à nova geração. Assim sendo, o Grupo de Trabalho “ Descrição e Análise de Línguas Indígenas” se faz imperioso para congregar profissionais para partilhar, divulgar, discutir e ampliar o cabedal de conhecimentos sobre as línguas indígenas. Os trabalhos podem abranger a descrição linguística com foco nos diversos níveis linguísticos, a saber: fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e nas suas interfaces, ou também os estudos comparativos e históricos. Ademais, trabalhos que se articulem com a antropologia, a literatura, a história, a geografia, a saúde a música, entre outras áreas, são essenciais para se enriquecer a documentação linguística.

GT018: Estudo de variedades africanas do Português

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Silvana Silva de Farias Araujo (UEFS)

RESUMO: Os estudos comparativos entre o português brasileiro (PB) e o português europeu (PE), como também entre o PB e algumas línguas africanas e crioulas, tiveram e têm um importante papel na discussão sobre a gênese e a caracterização do PB. No entanto, julga-se que esse debate enriquece-se como cotejo dessas variedades com o português usado em outras ex-colônias portuguesas, bem como com as diversas línguas indígenas usadas no Brasil, além de com as línguas crioulas de base portuguesa e espanhola. Nesse sentido, o objetivo central deste Grupo de Trabalho (GT) é contribuir com a consolidação de novos campos de pesquisas, divulgando estudos que não somente comparem o PB e o PE, mas que também estabeleçam um paralelo entre o PB e outras variedades históricas da língua portuguesa, formadas em decorrência dos contatos linguísticos. Desse modo, este GT justifica-se por buscar ampliar a compreensão sobre a formação do PB e, especialmente, no tocante à importância do contato do português com línguas africanas e indígenas. São bem-vindas pesquisas que analisem fenômenos morfossintáticos ou fonético-fonológicos das línguas faladas na/da África (línguas africanas, línguas crioulas e variedades de português faladas e escritas na África), das línguas indígenas e das línguas de imigração em diferentes abordagens teórico-metodológicas: formalista, variacionista, funcionalista, interacional etc.Espera-se, portanto, que este GT possa ajudar a responder às seguintes questões: (i) o que os estudos sobre os contatos linguísticos nos ensinam sobre a formação e a descrição do PB (ii) As situações de contatos linguísticos atuam de maneira semelhante sobre a estrutura da língua portuguesa?

GT019: A arquitetura linguística das políticas educacionias neotecnicistas

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Tânia Mara Rezende Machado (UFAC)

RESUMO: As políticas educacionais formuladas na contemporaneidade atendem a paradigmas neotecnicistas e encontram solo fértil no chão das escolas graças à perda gradativa da busca ontológica dos conceitos e teorizações com os quais se expressam. Pesquisadores como Frigotto (1989, 2004 e 2011), Duarte e Saviani (2010), Frigotto e Ciavatta (2001), Freitas (2012), Macedo(2014), (Ponce(2016) e Moraes (2016) que se dedicam a analisar tais políticas têm identificado nas propostas de governos, nos planos educacionais e na análise do trabalho docente, uma arquitetura teórica constituída de uma lingüística muito própria e sedutora. Os prefixos ganham centralidade e as desinências parecem ficar a margem das análises teóricas. Fala-se de policognição e polivalência ocultando-se a polifonia desses termos. Regulação, proletarização e terceirização são conceitos apresentados como bons e necessários a manutenção de uma dada hegemonia educacional.  Há uma apropriação de termos produzidos em contextos não escolares e trazidos para a teorização educacional em uma tentativa de torná-la supostamente mais atrativa. Conceitos como: Otimização do tempo escolar, aprendizagem significativa, epistemologia da prática, sociedade do conhecimento e capital humano passam a configurar nas teorias e nos planos educacionais, nos documentos curriculares e no trabalho docente sem a devida compreensão ontológica. Diante dessa problemática e do foto das palavras não serem neutras, mas carregadas de significados, e que sem elas não se produz teorias, propomos esse Grupo de Trabalho com o objetivo de reunir pesquisas e estudos que analisem a arquitetura lingüística dessas políticas, os modos como se expressam e seus rebatimentos na formação humana.

GT020: Linguagens, saberes e educação nas Amazônias

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Valda Inês Fontenele Pessoa (UFAC)

Josebel Akel Fares (UEPA)

RESUMO: Como professoras universitárias que discutem e problematizam as práticas dos itinerários formativos de crianças, jovens e adultos no âmbito das instituições de educação ede cultura, temos tido a oportunidades de nos colocarmos em contato com uma pluralidade de dizeres, fazeres e uma gama diversa de literaturas que se apresentam como importantes ferramentas de análises. Com o intuito de potencializar possibilidades de compreensão é que propomos o grupo temático Linguagens, Saberes e Educação nas Amazônias, com objetivo de trazer para o diálogo questões referentes às tramas entre estes campos de conhecimento. Nos últimos anos, o interesse por obras de intelectuais de diversas nacionalidades, sobre questões culturais e educacionais, como Stuart Hall, Henry Giroux, Thomas Popkewitz, ÉdouardGlissant, Stephen Ball, Jorge Larrosa, Ernesto Laclau, Jesus-Barbero, Paul Zumthore de brasileiros nascidos ou naturalizados como Miguel Arroyo, Alice Casimiro Lopes, Tomaz Tadeu da Silva, Jerusa Pires Ferreira, Carlos Rodrigues Brandão, e de pesquisadores das amazônias como Benedito Nunes, João de Jesus Paes Loureiro, Márcio Souza,Ana Pizarro, Neide Gondim, entre muitos outros, têm se acentuado e reverberado múltiplos olhares e processos de práticas dinâmicas no campo da cultura e da educação, mesmo com toda artilharia das políticas públicas neoliberais.Vivenciamos formas híbridas de pensar e fazer, mediatizados pelas relações educativas, políticas e culturais que se estabelecem entre os sujeitos das ações desenvolvidas nas mais diferentes instâncias. Com a companhia desses intelectuais, acreditamos na fluidez das linguagens, dos processos de significação das práticas educativas, da sua contingência e da imensurável relação que se estabelece entre as particularidades locais e universal.

GT21: Ciladas e saídas do texto literário no norte oitocentista

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Maria Lucilena Gonzaga Costa (UFPA)

Valdiney Valente Lobato de Castro (UFPA)

RESUMO: Uma breve análise em quaisquer das histórias literárias disponíveis no mercado editorial já revela o quanto a Literatura da Região Norte detém um espaço diminuto, o que pode projetar a ideia de pouca manifestação literária produzida. As primeiras historiografias que ajudaram a legitimar o cânone nacional concentraram-se na seleção de autores do eixo Rio-São Paulo e daqueles que para lá se deslocaram como José Veríssimo (1857-1916) e Inglês de Souza (1853-1918). Outros como Felipe Patroni (1794-1865), Frederico José de Santa-Anna Nery (1848-1901) e José Eustachio de Azevedo (1867-1943) são completamente desconhecidos. Sendo as histórias literárias instâncias de legitimação do texto literário, seus registros remetem à compreensão de que no século XIX a Região Norte do país não tinha produção literária com quantidade e/ou qualidade significativa. No entanto, na segunda década do século XIX com a independência política do Brasil, e Belém já alavancada pela força da extração da borracha, lança seu primeiro jornal e a partir daí surgem as publicações literárias nas colunas folhetins, tão bem estudadas por Marlise Meyer (1996), tanto de autores da própria região quanto de autores portugueses que mantinham assídua colaboração nos jornais paraenses. Se o Rio de Janeiro torna-se a Cidade da Corte com o embelezamento da cidade e importando os hábitos afrancesados, Belém também se populariza, recebendo, principalmente após a Revolta da Cabanagem e com a economia da borracha, uma grande leva de imigrantes e, consequentemente ampliando também sua estrutura. Sarges (2002) alude à influência que os hábitos franceses desenvolvem na província. De igual modo, no final do século XIX, Manaus desenvolve-se, crescendo em quantidade de habitantes com a chegada de imigrantes de vários destinos. Obviamente que a maior parte das relações estabelecidas entre os editores, escritores e leitores é desconhecida, mas certamente assinalada por ciladas para o leitor como a interrupção das histórias periódicas ou o preço hostil do suporte; para o escritor, muitas vezes preso em contratos desfavoráveis ou pela inexistência de leis autorais que lhes assegurassem seus direitos; ou ainda para o editor, que precisava de bons colaboradores para manter o interesse pelo periódico. Apesar dessas peculiaridades, nas cidades do norte, distantes do pólo econômico e letrado do país, a leitura fazia sucesso, garantindo vasta produção literária. A proposta desse simpósio é congregar estudos acerca das publicações oitocentistas na região norte, voltados à produção, editoração, trajetória, circulação e/ou recepção dos textos literários escritos nas colunas folhetins ou em outros suportes, a fim de compreender/recuperar as histórias das edições e publicações dessas obras, bem como desenhar um perfil dos escritores, editores e leitores do/no norte oitocentista.

GT22: Práticas de letramentos, leitura, escrita e oralidade em diferentes contextos de ensino

COORDENADOR(ES)/INSTITUIÇÃO: Áustria Rodrigues Brito (UNIFESSPA/GEIND)

Gilson Penalva (UNIFESSPA/GEPELLC-PAM)

RESUMO: O presente simpósio tem por objetivo discutir sobre as práticas de letramentos, leitura, escrita e oralidade em diferentes contextos de ensino-aprendizagem.Aqui, estaremos usando o termo “Letramentos” adotado por Street (2007), por consideramos que essas práticas não são universais, logo deve se levar em consideração os diferentes espaços em que os sujeitos vão construindo suas identidades e ideologias. Nessa perspectiva, este grupo de trabalho defende que a leitura e a escrita são atividades que não podem estar desassociadas do contexto histórico- social do leitor- produtor, haja vista que estes interagem na e pela linguagem em diferentes contextos situacionais.Vamos ainda abordar elementos da literatura oral no processo de identificação cultural da comunidade Kyikatêjê, com o objetivo de   compreender o processo idenditário deste grupo a partir das narrativas orais. Desse modo, estaremos ainda, valorizando uma literatura oral e redimensionando o próprio conceito do termo Literatura, em que a oralidade não era objeto de estudo e análise. Para fomentar essas proposições nos pautamos em Cosson (2006a, 2006b), Rojo (2005, 2012), Soares (1999, 2001), Marinho (2010) Kleiman (1995) dentre outros.

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